Isso prova, mais uma vez, que, embora os gatos sejam, até hoje, considerados os principais responsáveis pela
transmissão da toxoplasmose,
isso não passa de mito. De fato, os felinos – que são hospedeiros
definitivos da doença - também podem ser transmissores da doença quando
contaminados, produzindo fezes que contam com o protozoário
Toxoplasma Gondii.
No entanto, para que a contaminação ocorra, é necessário que uma
série de fatores seja levada em consideração, e o simples contato de
humanos com gatos infectados (e até com suas fezes) não é garantia de
que a transmissão da doença ocorra. Para isso, é necessário que as fezes
do gato contaminado já tenham ficado expostas ao meio-ambiente por,
pelo menos, 24 horas, promovendo a esporulação do agente e, dessa forma,
tornando-o infectante.
Junto com isso, é necessário que a pessoa que entre em contato com estas
fezes infectantes
promovam a entrada desse material em seus corpos por via oral para que a
contaminação aconteça e; dito isso, não fica difícil entender por que
os gatos são injustamente considerados os principais causadores e
transmissores da doença.
Além destas, outra forma comum de
transmissão da doença
é a congênita, que pode fazer com que animais e pessoas infectadas pela
toxoplasmose passem a doença para seus filhos ou filhotes durante o
nascimento. Em casos mais raros, a contaminação pode ocorrer em função
do recebimento de órgãos transplantados que estejam infectados pelo
parasita ou, ainda, pelo contato com o sangue de animais infectados
(sendo este último caso mais comum em pessoas que trabalham com
atividades com a caça, por exemplo).
Conforme comentado na introdução, há três diferentes
estágios infecciosos da toxoplasmose, que são os seguintes:
- Oocistos Formados no trato digestivo dos felinos – hospedeiros definitivos da doença – são expelidos nas fezes dos gatos.
- Taquizoítos Consiste na propagação e multiplicação
da infecção pelos diversos tecidos corporais. Isso continua até que a
contaminação seja destruída por um agente externo ou o sistema
imunológico amenize o desenvolver do processo.
- Bradizoitos É a forma de infecção aguda da doença,
que consiste em um estado persistente da infecção, que pode ser
encontrada em tecidos, músculos e órgãos viscerais – sendo que, em boa
parte dos casos, quando a doença chega neste estágio, permanece no
hospedeiro para o resto de sua vida.
Vale lembrar que, embora os cães também estejam sujeitos a serem
contaminados pelo protozoário da toxoplasmose, eles não se tronam
agentes disseminadores da doença quando infectados, ao contrário dos
felinos.
Sintomas da toxoplasmose
Os sinais da toxoplasmose podem ser bastante variados, e dependem tanto do nível da infecção como da
forma de transmissão.
Embora muitos felinos possam ter a doença desde o seu nascimento sem
apresentar qualquer tipo de sintoma, podem ocorrer algumas consequências
mais sérias nos felinos que são contaminados durante a gestação;
incluindo lesões de diferentes níveis de gravidade na região dos olhos e
do fígado, entre outras.
Em muitos casos, os gatos que já nascem com a doença podem morrer
logo após o parto, ou poucos dias depois. Entretanto, parte das
consequências mais graves ocorre em felinos que são infectados ao longo
da vida e já contam com algum tipo de disfunção imunológica, como FIV
(também conhecida como
AIDS Felina)
ou Felv (Leucemia Felina). Nestes casos, problemas como depressão,
anorexia, acúmulo de líquido no abdômen, falta de ar, mucosas
amareladas, alterações na região ocular, tremores, convulsões e
paralisia podem ocorrer, entre outros.
Em cães, a toxoplasmose costuma se manifestar de maneira bastante similar à cinomose (podendo dificultar a
identificação do problema)
e, nem sempre é necessária a existência de outra doença que comprometa a
imunidade do cão para que os sinais apareçam. Infecções
gastrointestinais e respiratórias estão entre os principais sintomas,
causando problemas como febre, vômito, diarreia, tremores, convulsões,
fraqueza ou rigidez nas patas e até paralisia; já que a doença pode agir
no sistema nervoso central do animal.
Nos seres humanos, a doença também pode afetar um grande grupo de
órgãos e regiões do corpo, incluindo fígado, pulmões, olhos e cérebro.
Dores de cabeça, de garganta, musculares e a presença de gânglios são os
sinais mais comuns em pessoas contaminadas – sendo que os primeiros
sintomas se manifestam, normalmente, em uma ou duas semanas após a
exposição ao protozoário.
No caso de pessoas contaminadas que tenham algum tipo de
problema de imunidade
(como os portadores de HIV), as consequências são bem mais graves, e
podem incluir desde confusão mental e febres até inflamações nos olhos
(que podem causar visão borrada) e convulsões.
Outro caso em que a infecção pela doença é bastante preocupante é
nas mulheres gestantes; já que, embora a doença possa não prejudicar
muito a grávida, ela pode causar uma série de transtornos no feto em
desenvolvimento – que pode acabar nascendo com excesso de líquido no
cérebro, a má formação de órgãos e problemas de visão. Em muitos destes
casos também pode ocorrer o aborto espontâneo da criança, assim como o
nascimento de um bebê sem vida.
Prevenção da toxoplasmose
Para evitar a contaminação de um animal pela toxoplasmose, é
necessário que ele não ingira cistos de tecidos infectados e; portanto,
evitar que eles se alimentem com carnes cruas ou mal cozidas já pode
ajudar bastante nessa
prevenção. Controlar as saídas
dos bichanos para a rua também é uma boa ideia para prevenir os gatos da
infecção; já que, dentro de casa e com a higiene em dia, dificilmente o
animal será contaminado.
No entanto, no caso dos seres humanos, a forma de prevenção é
bastante clara e simples: higiene. E, mesmo que você tenha dentro de
casa um felino contaminado pela doença, isso não quer dizer que será
infectado. Lavando bem as mãos após o contato com o animal e,
principalmente, após limpar a sua
caixa de areia, há poucas chances de que a doença seja transmitida.
A
caixa de areia é outro local que deve
permanecer limpo o tempo todo, e a esterilização do acessório com água
fervente também deve ser feita de maneira constante para evitar chances
de contaminação. No caso de quem tem crianças no lar, deixa-la em locais
afastados dos pequenos também é uma boa ideia – sendo que a limpeza das
mãos da criança após as brincadeiras com os bichanos deve ser algo
ensinado desde cedo, garantindo a higienização e, com isso, a prevenção.
Em todos os casos (seja para evitar a infecção em animais ou
humanos), a higiene é a palavra-chave. Todo tipo de vegetal que for
ingerido deve ser bem lavado e todo tipo de carne a ser consumida deve
ser bem cozida antes do consumo, acabando com a possibilidade de que o
protozoário possa ser transmitido para quem come o alimento. Lavar bem
os utensílios de cozinha que entram em contato com carnes cruas também é
uma boa medida para garantir o afastamento do problema.
Diagnóstico e tratamento da toxoplasmose
Para que a identificação da
toxoplasmose em humanos
seja feita, é necessária a realização de exames laboratoriais
específicos, que podem incluir desde simples exames de sangue até testes
sorológicos, ultrassonografia craniana, exames de imagem como
tomografia e ressonância magnética, entre outros.
Vale lembrar que, em cerca de 80% dos casos da doença em humanos,
ela é assintomática (ou seja, não provoca nenhum tipo de sintoma) e,
por isso, há muitos casos em que a pessoa possui a doença e nem mesmo
sabe disso.
No caso dos animais, o
diagnóstico da toxoplasmose
também pode requerer a análise de amostras de tecido, exames de sangue,
exames de fezes, hemogramas e radiografias, entre outros – sendo que um
simples exame clínico não é capaz de definir um diagnóstico preciso nos
casos de toxoplasmose. Os exames sorológicos, que detectam a presença
de anticorpos contra a doença no corpo do animal, também fazem parte dos
testes requisitados com maior frequência para tentar identificar a
doença em animais.
O tratamento da toxoplasmose em seres humanos que não contam com
tipo algum de comprometimento imunológico, na maioria cos casos,
consiste em esperar; já que, em cerca de um ou dois meses, a doença será
eliminada pelo próprio organismo da pessoa. No entanto, nos casos em
que a pessoa apresente sintomas ou tem alguma deficiência imunológica,
remédios específicos são usados para acelerar este processo de cura –
sendo que o período de tratamento dura cerca de três semanas.
No caso dos
animais doentes, o tratamento
também, é feito por meio da administração de medicamentos específicos,
sendo que o remédio será indicado de acordo com o nível de
desenvolvimento da doença e os seus sintomas – podendo incluir desde a
receita de antibióticos até quimioterápicos, entre outros tratamentos de
apoio.
Embora os meios de tratamento sejam variados, não há um elemento
que seja capaz de eliminar por completo a toxoplasmose do corpo dos
bichos e, por isso, casos de recorrência são relativamente comuns nos
animais que já foram previamente afetados pela doença.